O sucesso mundial do Led Zeppelin não foi suficiente para manter Robert Plant emocionalmente ligado à banda depois de uma das maiores tragédias de sua vida. Em uma entrevista recente ao jornal The Sunday Times, o cantor relembrou a morte do filho Karac e explicou como a perda transformou sua maneira de enxergar a carreira, a fama e a rotina de turnês.
Karac morreu em 26 de julho de 1977, aos cinco anos, após sofrer uma infecção gastrointestinal aguda. Na época, Plant estava nos Estados Unidos com o Led Zeppelin, que promovia o álbum "Presence". Ao receber a notícia, o músico interrompeu a turnê, que ainda tinha sete apresentações previstas.
Mesmo depois da perda, Robert Plant continuou trabalhando com os integrantes do Led Zeppelin. A relação com a banda, porém, nunca mais teve o mesmo significado para ele.
Ao recordar aquele período, o vocalista explicou que o grupo seguiu em frente sem saber exatamente como lidar com a situação. Com o tempo, a rotina dos bastidores e das apresentações deixou de fazer sentido diante do que estava vivendo pessoalmente.
"Não havia mapa, nem instruções para o Led Zeppelin, e nós simplesmente continuamos. Eu não precisava do grupo depois de perder meu filho. Esses romances musicais são ótimos quando tudo está bem. Quando as coisas saem do controle, quem quer ficar nos bastidores por horas e horas com pessoas com quem você está preso desde 1968? Você não está jogando cartas, não está indo ao cinema, você está apenas esperando. Eu sempre quis dar um jeito de ir embora", contou Robert.
Em outra entrevista, concedida à Rolling Stone em 2007, ele já havia resumido o que sentia naquele momento: queria estar com a família, e não continuar no Led Zeppelin.
A morte de Karac aconteceu três anos antes do fim definitivo do Led Zeppelin. A banda ainda lançou "In Through the Out Door", em 1979, e o álbum "Coda", que chegou ao público em 1982, após o encerramento das atividades do grupo.