Poucos artistas do rap brasileiro atravessaram tantas escalas sem perder uma linguagem tão própria quanto Hungria. Da ascensão independente ao posto de rapper solo mais ouvido do país, o artista chega agora a um dos movimentos mais importantes de seu ano. Nesta sexta, dia 9, o single "Disco Voador" abre as portas do EP Constelação e antecipa um Hungria de contrastes: grandioso na dimensão que alcançou, mas mais próximo das emoções que atravessam sua música.
A faixa que inaugura o projeto preserva os códigos que marcam a composição do rapper, com a rua, a quebrada e a figura do maloqueiro ainda ocupando a paisagem, mas encontra neles uma nova medida para falar de afeto. Depois de tanto cantar sobre chegar, Hungria reflete o que significa levar alguém consigo. Entre a vista da laje e a promessa de outro planeta, a canção faz desse amor uma espécie de passagem para outro lugar, sem perder de vista de onde partiu.
Com produção de André Nine, que assina todo o EP, "Disco Voador" ganha uma sonoridade orgânica sem abrir mão de peso e densidade. A musicalidade mais viva e física dá corpo à faixa, fazendo o rap pulsar no centro, sem levá-la para o território acústico. Em vez de revestir Hungria com uma estética que não lhe pertence, a produção aproxima a câmera.
É essa textura, ao mesmo tempo crua e grandiosa, que começa a desenhar a identidade sonora de Constelação. O EP reunirá cinco faixas, fazendo do audiovisual parte da experiência. A organicidade atravessa o projeto como escolha estética e constrói uma atmosfera em que Hungria aparece menos interessado no excesso e mais na força da canção.
Fonte: Access Mídia